Como prevenir a ansiedade nas crianças durante a quarentena?

Especialistas explicam quais são os principais sintomas e como tratar o problema

A imprevisibilidade e o estresse do cenário atual agravaram os transtornos de saúde mental em crianças e adolescentes, que já vinham em curva crescente nas últimas décadas.

Nesse contexto, a ansiedade é cada vez mais comum e, pela necessidade do isolamento social, ela é um dos problemas que estão aumentando com o tempo. Por isso, é muito importante que você saiba quais são os principais sintomas e quais as formas de tratamento.

Para esclarecer todas as dúvidas que podem surgir, conversamos com Ingrid Mosquin, médica pediatra, e Danielle Herszenhorn Admoni, psiquiatra infantil.

Segundo a Dra. Mosquin é importante que as crianças entendam o que está acontecendo no mundo. “Os pequenos, assim como todos nós, estão sendo atingidos por inúmeras notícias sobre a COVID-19. Esse excesso de informações, vindas de múltiplas fontes, podem gerar sintomas de ansiedade e medo devido à falta de conhecimento básico sobre a doença”, afirma.

Para a especialista, é fundamental que os pais ou responsáveis falem e expliquem abertamente e de forma simples o contexto atual do novo coronavírus. “As crianças são capazes de entender a gravidade e a importância dessa situação, uma vez que a rotina de vida delas também tem sido muito alterada durante essa pandemia”, conta.

Nesse mesmo sentido, a Dra. Admoni elenca algumas questões que devem ser respondidas às crianças, como: “Por que as pessoas estão de máscara? Por que as pessoas estão isoladas? Por que as pessoas estão usando álcool em gel?”.

A conversa franca e aberta é o primeiro passo para ajudar as crianças a passar pelo o que está acontecendo.

Sintomas da ansiedade nas crianças

A Dra. Danielle Admoni explica que os sintomas de ansiedade são diferentes entre adultos e crianças, principalmente, “porque os adultos conseguem nomear e explicar o que estão sentindo muito melhor”.

Portanto, de acordo com a especialista, os problemas dos pequenos são mais físicos e surgem como desconfortos inespecíficos, como dor de cabeça, dor na barriga, dor na perna etc. “É muito comum que a criança, que está preocupada ou ansiosa, traduza isso no corpo com dores e mal-estar, por exemplo”, diz. Além disso, outros problemas como engordar, roer unha e arrancar cabelo acabam surgindo.

Um ponto importante, segundo a psiquiatra, é que os pequenos não sintam “os problemas de adultos” que fazem parte do dia a dia dos responsáveis, como falta de dinheiro ou outros problemas mais específicos. Em concordância, a pediatra complementa que “devemos sempre entender qual a fonte dos sintomas”.

Aliás, quando esses sinais começam a aparecer é porque a ansiedade já é realidade. A principal dica que a psiquiatra nos dá é não pressionar ainda mais a criança, pois isso pode causar ainda mais prejuízos. Para isso, crie uma rotina mais leve, estipule horários (para não dormirem ou jantarem tarde) e deixe espaço para os pequenos descansarem e relaxarem.

Quando questionada sobre os principais problemas a longo prazo, que a ansiedade pode causar nas crianças e adolescentes, a psiquiatra relata “que os pequenos ansiosos não tratados serão adultos ansiosos” e, por isso, é fundamental que você trate a questão logo no começo.

Como entreter as crianças durante a quarentena para diminuir a ansiedade

O principal problema relacionado às crianças na pandemia é a perda de sua rotina. Elas normalmente possuem uma programação de seu dia e, por isso, devemos criar hábitos que incluam tarefas com responsabilidade, como arrumar a cama, cuidar do animal de estimação e manter os brinquedos organizados.

Para a pediatra é importante que a família coloque a mão na massa. “Abuse de ambientes como cozinha, quintal para instruir sobre alimentos, plantas, animais e ciclos da vida; utilize jogos simples, como jogo da memória e de dominó, que podem ser produzidos, recortados e pintados por elas mesmas”, pontua.

Caso os primeiros indícios persistam, a pediatra afirma “se os sintomas não forem minimizados é porque o comportamento habitual ainda está alterado, então, você deve procurar por um profissional da saúde e buscar opções, como terapia e acompanhamento psicológico”.

E, por fim, a Dra. Mosquin deixa um recado! “Mamães, papais e familiares, devemos ter uma atenção maior com as nossas crianças nesse período. Elas precisam de nossa instrução, carinho, amor e proteção para combater essa doença.  Estamos todos unidos na luta contra esse pequeno grande vilão!”

CONHEÇA AS ESPECIALISTAS:

Ingrid Mosquin é Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Campus Sorocaba, e residente em Pediatria pela mesma universidade.

Danielle Herszenhorn Admoni é Graduada em Medicina pela FCMSC (Santa Casa), com residência em Psiquiatria Geral pela Unifesp, de 2001 a 2003, e Psiquiatria da Infância e Adolescência, de 2003 a 2004. Também é especialista pela ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).

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