Dicas de especialistas: saiba como fortalecer a imunidade das crianças no inverno

O frio sempre é motivo de preocupação para os pais, por conta das gripes e resfriados que podem surgir. Este ano, o cenário do coronavírus pede ainda mais cautela. Saiba o que fazer para deixar os pequenos fortes e saudáveis

Com a chegada do inverno, é comum vermos crianças com gripes e resfriados. Isso acontece porque as bactérias e os vírus tendem a se espalhar mais rápido em temperaturas mais baixas, afetando a saúde dos pequenos. Este ano, com o coronavírus, essa preocupação aumenta e a imunização é de extrema importância.

Diante disso, é necessário que os pais e responsáveis saibam que a prevenção pode começar em casa com atitudes simples, como oferecer mais água às crianças e uma alimentação equilibrada. Quer saber por onde começar? Entrevistamos três médicos especialistas para te ajudar a entender melhor o sistema imunológico infantil e dar dicas para aumentar a imunidade dos pequenos. Confira!

Desenvolvimento do sistema imunológico das crianças


De forma simples, o doutor Beni Morgenstern, especialista em alergia e imunologia pediátrica, conta que o desenvolvimento do sistema imunológico é um processo contínuo, que se inicia ainda no embrião, com diversos estímulos e mudanças importantes desde o momento do nascimento até o amadurecimento progressivo na infância. “Crianças em idades escolares já tem boa parte da imunidade desenvolvida e, durante a adolescência, atingem níveis semelhantes aos de adulto”, afirma.

Ao longo do crescimento, os estímulos para o sistema imunológico são muitos, como o momento de contato com a mãe, o ambiente de casa, o leite materno e, posteriormente, os demais alimentos, as vacinas e, inclusive, as infecções, conforme explica o doutor Alfio Rossi Junior, infectologista pediátrico.


“Podemos dizer que o sistema imunológico da criança é desafiado de forma contínua pela exposição a diferentes germes que estão no seu ambiente doméstico, como, por exemplo, as bactérias da pele da mãe, o compartilhamento de brinquedos com os irmãos e os bichinhos de estimação. Tudo isso funciona como um treinamento das defesas do organismo, de forma que, ao longo dos anos, o corpo vai ser cada vez mais capaz de se defender”, conta o médico.

“Mas, é importante que estes germes a que os pequenos ficam expostos no seu dia a dia não sejam causadores de doenças, pois em cada um a doença pode progredir de forma diferente e aquilo que não é grave em um pode ser em outro. Portanto, não é uma boa ideia deixar as crianças, propositalmente, em contato com outras ou ainda com adultos doentes só para fortalecer o sistema imunológico”, complementa.


O papel do leite materno

De acordo com Rubens Feferbaum, Professor Doutor em pediatria, a recomendação da Organização Mundial da Saúde é alimentar o bebê até o sexto mês de vida, exclusivamente, com o leite materno e estender o prazo até os dois anos de vida ou mais quando possível.

“A natureza provê o leite materno como complemento e modulador da imunidade do recém-nascido e lactente, já que oferece todos os nutrientes que a criança necessita para o crescimento, além das células de defesa, anticorpos denominados imunoglobulinas e compostos bioativos que tem ação bactericida. Também fornece bactérias protetoras para os pequenos, como probióticos e prebióticos”, relata Dr. Rubens.

Alfio Rossi Junior conta que, no caso dos bebês menores, o leite materno é uma fonte completa e não precisa de complementação. “Quando, por algum motivo, o aleitamento materno não é possível, existem as chamadas fórmulas infantis, que são produzidas com a união de proteínas e gorduras de boa qualidade aos carboidratos. Todas são enriquecidas com vitaminas e minerais nas quantidades recomendadas para cada faixa etária e muitas possuem ainda os probióticos e prebióticos”, explica o médico.

Dicas para fortalecer a imunidade das crianças


De acordo com o doutor Beni Morgenstern, para ajudar a manter as crianças bem e sem doenças, a manutenção de hábitos saudáveis de vida é fundamento. “É muito importante que os responsáveis levem os pequenos para um acompanhamento de rotina com o pediatra. Além disso, a alimentação deve ser completa e balanceada, respeitando as necessidades de cada faixa etária. Estar em dia com as vacinas também é essencial, principalmente, as imunizações disponíveis de acordo com calendário vacinal. Outros pontos são: evitar uso de medicações sem indicação médica, ter uma boa rotina de sono e realizar atividades físicas regularmente”, pontua o médico.

Em concordância, Rubens Feferbaum explica que para crianças maiores, após a fase de amamentação, a alimentação adequada é aquela variada e que contribui para o crescimento e desenvolvimento do ser humano. “A oferta de frutas, verduras e legumes supre as necessidades diárias de micronutrientes e vitaminas, que também ajudam positivamente o sistema imunológico. As ações de diversas vitaminas como A, C e D são bem conhecidas, já que melhoram a formação de células de defesa e produção de anticorpos no organismo dos pequenos”, complementa o médico.

A importância da alimentação equilibrada


O consumo dos alimentos certos é essencial para manter a imunidade em dia. Por isso, esse ponto merece atenção. “Quando falamos em alimentação balanceada conforme a faixa etária, é importante lembrar que o total de calorias ingeridas deve vir de proteínas, carboidratos e gorduras de boa qualidade. Mas, além das calorias, precisamos de quantidades adequadas de minerais, vitaminas e fibras”, afirma o doutor Alfio.

O médico indica que as crianças maiores consumam alimentos naturalmente ricos em prebióticos, como cereais integrais, frutas e vegetais. “Alguns podem ser encontrados em cebolas, alhos e bananas. Além disso, eles podem ser adicionados a iogurtes, fórmulas infantis, pão, biscoitos, sobremesas ou bebidas”, enumera. Outra dica é incluir fibra na alimentação, já que ela pode ajudar na formação da flora intestinal e, consequentemente, na imunidade.

Para o doutor Rubens Feferbaum, a variedade é o segredo da boa alimentação. O médico aconselha que os responsáveis escolham os alimentos naturais, como as frutas, os legumes e as verduras para as refeições dos pequenos. Se necessário e com a devida orientação médica, vale inserir uma suplementação de Vitamina D, principalmente agora, que “tomar sol” pode ser difícil para crianças em isolamento social.

Imunidade infantil em tempos de coronavírus

“Poucas crianças evoluem para quadros graves da infecção pelo COVID-19, possivelmente, pelas características do sistema imune. No entanto, o isolamento social traz preocupações como o fechamento das escolas e a falta de interação com outras, além do distanciamento de membros da família, que são pontos essenciais para o desenvolvimento emocional e cognitivo dos pequenos. Nesse período, há necessidade de um grande esforço familiar para manter o equilíbrio emocional dos menores”, afirma Dr. Feferbaum.

Confira um resumo do que os entrevistados disseram sobre o Covid-19 em crianças.

Dúvida extra: saiba até que ponto a roupa infantil faz diferença na imunidade

Afinal, o tipo de roupa que a criança usa nos dias mais frios influencia na possibilidade de ficar doente? Primeiro, precisamos entender que as gripes e os resfriados são causados por vírus transmitidos de pessoa para pessoa, principalmente, por meio do contato direto com secreções respiratórias, que são eliminadas pela tosse ou espirro. É o que explica o doutor Alfio Rossi Junior.

“Durante os meses mais frios, as pessoas tendem a permanecer mais em ambientes fechados, sendo essa a principal razão para o aumento de infecções respiratórias no inverno. Em um lugar assim, se várias pessoas estão próximas, a chance de que uma entre em contato com as secreções da outra aumenta, principalmente, quando se trata de crianças que ainda não aprenderam boas práticas de etiqueta relacionada a tosse”, conta.

Especificamente sobre a roupa, o doutor Rubens analisa que a gripe e o resfriado são causados por vírus, independente do vestuário. “O que acontece é que muitos pequenos são alérgicos a lã, por exemplo, e às roupas de inverno guardadas em armários, que podem impregnar com pó (fonte de ácaros muito alergênicos) ou mofo e fungos. Essa exposição ocasiona tosse e coriza em crianças atópicas, que tem predisposição alérgica, com sintomas semelhantes às doenças comuns do inverno. Por outro lado, o frio resultante da falta de agasalho também pode levar à obstrução nasal, um dos sintomas caracterizados como rinite vasomotora”, afirma.

CONHEÇA OS ESPECIALISTAS:

Prof. Dr. Rubens Feferbaum
Professor Livre-Docente em Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Neonatologia e Nutrologia pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e Nutrição Parenteral e Enteral pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN). Presidente dos Departamentos Cientí­ficos de Suporte Nutricional da SBP e de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Dr. Alfio Rossi Junior
Pediatra e Infectologista Pediátrico. Mestre em Pediatria pela Universidade de São Paulo (USP). Presidente da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP).

Dr. Beni Morgenstern
Médico da Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP). Formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Residência em Pediatria e especialização em Alergia e Imunologia Pediátrica pelo Instituto da Criança do HCFMUSP. Título de especialista em pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e em alergia e imunologia pela Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI).

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