Entenda como é possível identificar se a criança tem autismo

As médicas Gladys Arnez e Gesika Amorim explicam qual o momento certo de procurar diagnóstico. Conheça também a história do cantor Matheus Cuelbas, jovem autista que viralizou nas redes sociais

(Imagem: Depositphotos)

O autismo é um assunto que ganha cada vez mais espaço na sociedade, com a disponibilidade de informações na internet e relatos de pessoas nas redes sociais que convivem com ele diariamente, além das séries de TV sobre o tema, como Atypical e The Good Doctor, por exemplo.

O fato é que essa condição de saúde está no caminho para deixar de ser um tabu, mas ainda há muito o que ser explicar sobre o diagnóstico. Nesse sentido, primeiro, os pais e responsáveis precisam entender o que é. Então, anota aí: 

Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas. A estimativa no Brasil é de cerca de 2 milhões de autistas.

GRAUS DO AUTISMO

De acordo com a Dra. Gesika Amorim, neuropsiquiatra infantil, os termos usados para indicar qual grau de autismo o paciente possui – Leve, Moderado e Severo – são falhos e causam equívocos. 

“É um erro achar que o classificado como leve é menos autista do que os outros e não necessita de suporte; eles são iguais por estarem em um mesmo grupo; os pequenos com um grau considerado menor possuem menos dificuldades; e o severo é totalmente incapaz. Essa divisão simplória prejudica na compreensão do que realmente é o espectro, assim como pode dificultar um suporte individualizado para cada criança”, contextualiza a profissional no seu e-book “Detectando precocemente o autismo”. 

A médica explica que é impossível enquadrar o autismo de um indivíduo em apenas um grupo, já que ele pode apresentar dificuldades com intensidades variadas. “Os manuais diagnósticos dividem os pacientes de acordo com a necessidade de suporte, sendo elas 1, 2 e 3. Apesar de ser uma forma imperfeita, é mais assertiva para sinalizar o nível de apoio que cada um requer e substituir os graus de severidade citados acima. Cada autista é único”, complementa.

CONHEÇA O DSM-5

Mas, como identificar o autismo? Para entender esse processo, existe a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) lançado pela American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria). Ele mostra quais os sinais que uma criança pode apresentar desde pequena e, com isso, ajuda os pais e responsáveis que desejam conhecer melhor o tema.

“DSM-5 é uma sigla em inglês que significa Diagnostic and Statistical Manual (Manual de Diagnóstico e Estatística) e o número 5 é usado para indicar que está na quinta revisão”, ensina a Dra. Gesika, referência no Tratamento de TEA com utilização de Homeopatia Detox.

Essa edição trouxe mudanças expressivas nos critérios diagnósticos do autismo, ampliando a identificação de sintomas e dando ênfase na necessidade de observação do desenvolvimento da comunicação e interação social da criança. Tudo isso facilitou a compreensão da doença por profissionais e familiares. 

TRANSTORNOS DO NEURODESENVOLVIMENTO

Com a classificação do DSM-5, o Transtorno do Espectro Autista ficou em um grupo de Transtornos do Neurodesenvolvimento, juntamente com o TDHA e outros transtornos, como: específico da aprendizagem; desenvolvimento intelectual; comunicação; e motores. 

Segundo a Dra. Gladys Arnez, neurologista infantil da Neurocenterkids, essas condições levam o indivíduo a um déficit no comportamento pessoal, social e acadêmico, que podem ir de leves, como os transtornos específicos de aprendizagem, até aos quadros mais incapacitantes, como o autismo, que depende do grau e do nível que a criança apresenta.

“Os Transtornos do Neurodesenvolvimento correspondem a 10% dos pequenos, um número alto e preocupante. Por isso, ao perceber qualquer sintoma, os pais devem levar a criança o quanto antes a um neurologista infantil para obter um diagnóstico preciso”, afirma a neurologista infantil. 

“É importante citar que o Transtorno do Espectro Autista também pode estar relacionado com outros diagnósticos, mas dependerá muito da idade da criança. Dentre eles, há o distúrbio do sono e, principalmente, o Transtorno de Ansiedade, que é bastante comum na adolescência”, complementa. 

SINTOMAS E DIAGNÓSTICO

A Dra. Gladys Arnez explica que os sintomas costumam aparecer no período de neurodesenvolvimento, mas podem não se manifestar completamente até que as demandas sociais excedam o limite da capacidade dos pequenos. Quando isso acontece, a criança, por volta dos dois anos, começa a regredir e, geralmente, “desaprende” algumas coisas ou já não evolui mais. 

Dentro desse cenário, o ponto mais importante para um diagnóstico de autismo é a avaliação feita por meio de um perfil comportamental do pequeno, junto com os pais e o médico neurologista. “Para a avaliação, que é feita no consultório, indico que a família faça um vídeo caseiro simples, mostrando a criança em diferentes momentos do dia, seja brincando em casa, se divertindo na escola ou recebendo visitas de algum familiar. Isso ajuda demais para um diagnóstico preciso”, conta.

A médica afirma que, segundo o DSM-5, os tópicos principais que correspondem aos critérios diagnósticos do espectro autista são déficits clinicamente significativos, persistentes na comunicação e nas interações sociais, manifestados das seguintes maneiras:

Além disso, a médica ressalta que os padrões restritos e repetitivos de comportamento, diante de interesses e atividades, são manifestados de pelo menos duas formas:

TRATAMENTO

DICAS RÁPIDAS PARA AJUDAR PAIS QUE POSSUEM FILHOS AUTISTAS OU COM TDAH*

*E-book “Detectando precocemente o autismo”

Dra. Gesika Amorim, neuropsiquiatra infantil.

CONHEÇA O JOVEM AUTISTA QUE VIRALIZOU NAS REDES SOCIAIS

Matheus Cuelbas, de 20 anos, foi diagnosticado com Síndrome de Asperger aos 14 anos, uma condição neurobiológica enquadrada dentro do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). Também chamada de “autismo de alto funcionamento”, ela é caracterizada pelo atraso na comunicação e na interação social, além do interesse restrito por temas do cotidiano, como a obsessão pela música, que o impedia de conversar e conhecer outros assuntos.

Após postar nas redes sociais, o vídeo em que interpreta a música Baba O’Riley, da banda The Who, o jovem atingiu milhões de visualizações e o compartilhamento de grandes páginas do cenário nacional do rock e de notícias positivas. 

No Instituto de Pesquisa Conduzir, Matheus segue o modelo da Análise Comportamental Aplicada conhecido pela sigla ABA (Applied Behavior Analysis), ciência usada para a compreensão do comportamento, que vem sendo amplamente utilizada no atendimento a pessoas com desenvolvimento atípico, como o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA). 

De acordo com Renata Michel, coordenadora do Instituto de Pesquisa Conduzir, se um indivíduo tem déficits e/ou excessos comportamentais típicos do diagnóstico, a abordagem em ABA, aplicada por um profissional capacitado, pode reverter o quadro por meio de tratamentos corretos que irão aumentar ou diminuir os sintomas. Esse cenário depende do objetivo traçado, para que sejam apresentados comportamentos mais próximos aos esperados para pessoas da mesma faixa etária.  

Para saber mais sobre o modelo ABA, clique aqui.

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Conheça o Grupo Conduzir: 

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