Conheça quatro transtornos disruptivos da infância

Dra. Gesika Amorim, neuropsiquiatra, explica o que é cada um deles e esclarece que o diagnóstico aumenta as chances dos pequenos terem uma vida normal

Imagem: Freepik

Quando as birras começam a ser preocupantes? Verdadeiro desafio para os pais e responsáveis, esse tipo de comportamento é considerado comum quando as crianças ainda são novas para conseguir argumentar diante de algum pedido ou conversa. O que muitos esquecem é que ela pode ser classificada como um problema, caso aconteça em caráter desproporcional, chamado de Transtorno Disruptivo.

Essa classificação inclui dois tipos: Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e o Transtorno de Conduta (TC), sendo que ambos atingem crianças e adolescentes. Eles são relacionados as alterações de comportamentos desafiadoras e antissociais, além de serem considerados difíceis de diagnosticar e tratar.

Muito mais frequentes na infância, essas implicações podem ser severas e evoluir para quadros mais graves, gerando grande impacto na vida dos adolescentes e adultos, quando não tratados corretamente. Quer mais informações? O portal Meu Mundo Nutri conversou com a Dra. Gesika Amorim, pediatra e neuropsiquiatra, sobre o assunto. Confira!

Mundo Nutri: O que são os Transtornos Disruptivos?

Dra. Gesika Amorim: Os Transtornos Disruptivos são distúrbios psiquiátricos que apresentam como principal característica, um padrão repetitivo e persistente de conduta antissocial, provocativa, agressiva ou desafiadora. 

Mundo Nutri: Há uma causa para esses transtornos nas crianças?

Dra. Gesika Amorim: Não há uma única causa isolada para os Transtornos Disruptivos durante a infância e que os justifiquem, mas é consenso que o ambiente no qual a criança está inserida é um dos fatores determinantes. Ou seja, todos podem ter causas genéticas ou ainda se apresentarem como uma consequência do modo como os pequenos vivem, além disso, não há classe social mais afetada.

Mundo Nutri: Como evitar os Transtornos Disruptivos na infância?

Dra. Gesika Amorim: Todos que cercam a criança ou o adolescente, sejam pais, cuidadores ou educadores, devem observá-los no dia a dia. Se notarem algo diferente do comum, devem buscar ajuda médica. 

Mundo Nutri: O que é o Transtorno Opositivo Desafiador (TOD)?

Dra. Gesika Amorim: O TOD é caracterizado, principalmente, por um comportamento desafiador e desobediente a qualquer figura de autoridade. Começa na infância, a partir da idade escolar, e é mais comum em meninos. 

Normalmente, é uma criança que não cumpre regras, se envolve em confusões constantes e nada faz com que sinta medo. Ela apresenta uma atitude desafiadora e contestadora à autoridade de qualquer adulto o tempo inteiro. Além disso, se manifesta durante alguns anos ou a vida inteira, e pode ser incurável. 

Geralmente, as causas que vimos são: predisposições neurobiológicas; fatores de risco psicológicos; e ambiente social nocivo. Apesar disso, a criança pode se socializar e ter amigos da mesma faixa etária. Já o tratamento é feito com sessões de psicoterapia, medicamentos e o acompanhamento de um neuropsiquiatra.

Mundo Nutri: Pode explicar como funciona o Transtorno de Conduta (TC)?

Dra. Gesika Amorim: o Transtorno da Conduta é usado para crianças e adolescentes e é mais frequentes em meninos. As principais características são as violações de regras, das normas sociais e dos direitos individuais. Há desde questionamentos desafiadores a agressões físicas. A crueldade é comum, inclusive com animais. Praticam bullying na escola, insubordinação, furtos, pequenos delitos, ações impulsivas, provocações, discussões, entre outros.

O TC vai muito além de uma desobediência infantil. É um comportamento constante que a criança tem e que pode ser progressivo. Os pequenos não demonstram sofrimento ou constrangimento perante suas ações. Eles não sentem culpa e não se importam em ferir os sentimentos de outras pessoas ou desrespeitar seus direitos.

O tratamento envolve uma equipe multidisciplinar para lidar com a criança e pode ser imprescindível a administração de medicação por um neuropsiquiatra infantil, além de terapia, de preferência, estendida à família.

Mundo Nutri: E quanto ao Transtorno de Personalidade Antissocial (TPAS)?

Dra. Gesika Amorim: Pode ser notado desde a infância, mas seu diagnóstico vem na fase adulta, a partir dos 18 anos. Ele é caracterizado pelo desprezo diante de direitos, além de descaso perante consequências do mal que pode causar às outras pessoas. 

O antissocial costuma mentir, manipular e infringir leis. Ele não se importa com sua segurança e nem com a dos demais. Não tem nenhum senso de responsabilidade, não consegue sentir a dor ou emoção do outro e não aprende com erros do passado. Também não sente culpa ou remorso, age por impulsividade, não sente nenhum tipo de temor e não conseguem distinguir certo e errado. Resumindo: não tem empatia.

Outro ponto é que eles podem ser charmosos, sedutores e apresentar inteligência acima da média. Aprendem muito rápido a observar tudo e todos a sua volta, sempre pensando de que forma conseguirão extorquir ou ter vantagem ao manipular terceiros. 

As causas podem ser: genética e ambiente nocivo. Já o tratamento é feito com neuropsiquiatra e psicoterapeuta, envolvendo terapia e medicamentos.  

Mundo Nutri: Também se sabe que há o Transtorno Explosivo Intermitente (TEI). Pode falar sobre ele?

Dra. Gesika Amorim: Embora pouco comentado, não podemos deixar de falar desse transtorno que causa muita dor, mas, ao contrário dos demais, o paciente se lamenta do sofrimento que causa.

Popularizado como Síndrome do Incrível Hulk, esse transtorno é caracterizado por episódios abruptos de perda de controle, com impulsos violentos e agressões verbais, além de discussões ou agressões físicas contra pessoas, animais ou propriedade alheia.

A agressão no TEI não é premeditada e não tem nenhum objetivo claro. É comum que a criança seja dócil e amorosa, mas por qualquer aborrecimento, por menor que seja, tenha explosões absurdas. Após seus episódios agressivos, pode ter sérios desconfortos emocionais seguidos de um grande sentimento de culpa. 

O tratamento é medicamentoso, feito com estabilizadores de humor ou neurolépticos, sempre associados à terapia.

E aí, gostou da entrevista? Conheça mais a médica:

Instagram: @dragesikaautismo

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